• Vinicius Melo de Menezes

Pensão alimentícia: gestante tem direito a receber?

Não é novidade que no Brasil, muitos pais, infelizmente, se eximem de suas responsabilidades com seus filhos.


É comum vermos casos de grande dificuldade no pagamento de pensão alimentícia de forma voluntária. Quando ocorre, na maioria das vezes, é em um valor insuficiente. Normalmente, só com intervenção judicial é que o problema se resolve.


Ocorre que, em determinadas situações, quem sofre com esse tipo de postura é a própria mulher, não apenas o filho. Em casos de gestações não planejadas, é frequente que o futuro pai deixe a mulher à própria sorte durante todo o período de gravidez.



Por isso, muitos se perguntam: há alguma medida jurídica para que a mulher gestante receba alguma ajuda, como pensão alimentícia durante a sua gravidez?


A resposta é positiva. Há uma lei que prevê o pagamento dos chamados “alimentos gravídicos”, por meio dos quais o pai terá que contribuir para uma série de despesas que a mãe de seu filho terá durante a gestação.


Abaixo, vamos ver algumas das situações previstas nessa lei.


Quais despesas podem ser divididas com o pai?


Serão divididas as despesas adicionais que a mulher tiver em razão da sua gravidez, do período que vai da concepção até o parto.


Como exemplo dos alimentos gravídicos, temos:


a) alimentação especial;


b) assistência médica;


c) assistência psicológica;


d) exames complementares;


e) internações;


f) parto;


g) medicamentos e indicações médicas indispensáveis, e;


h) outras que o juiz entender necessárias.


Todos esses exemplos vêm da própria legislação. E são apenas exemplos. Outras necessidades podem ficar comprovadas e também podem integrar esse grupo.


Como se prova a paternidade?


Nesses casos delicados, nem sempre é possível ter certeza da paternidade durante a gestação. Exames para confirmação ainda no útero põem em risco o bebê e a mãe.


Então, nesses casos, o juiz analisará as provas. Podem ser usadas diversas, como mensagens de aplicativos, fotos, bilhetes de viagem e hotéis, dentre outros.


A palavra da mãe terá um peso relevante. Contudo, se posteriormente ficar comprovado que o pai não era a pessoa indicada e também se comprovar que houve má-fé da gestante ao indicá-lo, poderá haver condenação por danos materiais e até morais, por exemplo.


O pai deverá pagar sozinho todas as despesas da gestante?


Não, cada um, tanto o pai quanto a mãe deverão dividir as despesas, na proporção dos recursos de cada um.


Após o nascimento os valores deixam de ser devidos?


Aqui a lei traz uma previsão muito importante. Após o nascimento com vida da criança, os alimentos gravídicos, ou seja, a pensão alimentícia que estava sendo paga para a mãe, se torna, automaticamente, uma pensão alimentícia para o filho, no mesmo valor.


Caso esse valor se torne insuficiente, poderá ser ajuizada uma ação revisional de alimentos, para que o pagamento se torne mais adequado às necessidades da criança.



Vinicius Melo

Advogado de Direito de Família